Do constitucionalismo liberal luso-brasileiro ao bicentenário da independência do Brasil

Autores

  • Jorge Alves Correia Universidade de Coimbra

DOI:

https://doi.org/10.64537/ridp.v11i20.1190

Palavras-chave:

Constitucionalismo Luso-Brasileiro, Direito Comparado, Identidade Relacional, Independência do Brasil, Cooperação Transjudicial, Universidade de Coimbra

Resumo

O artigo analisa a identidade relacional do constitucionalismo luso-brasileiro, utilizando uma abordagem de Direito Comparado nos planos diacrônico (histórico) e sincrônico (atual). O estudo identifica três períodos principais de convergência histórica entre os dois países: o constitucionalismo liberal (marcado pelas Constituições de 1824 no Brasil e 1826 em Portugal), o constitucionalismo autoritário (afinidade entre as Constituições de 1933 em Portugal e 1937 no Brasil) e o constitucionalismo democrático (entre a Constituição Portuguesa de 1976 e a Constituição Brasileira de 1988). O autor destaca o papel central da Universidade de Coimbra na formação das elites que conduziram a independência do Brasil, mas também a cisão ocorrida com a forte influência norte-americana na Constituição brasileira de 1891. O artigo rejeita a existência de uma "família constitucional lusófona" unificada, devido à falta de homogeneidade, mas defende a existência de um "Direito Constitucional comum" específico entre Portugal e Brasil, fundamentado nas convergências democráticas recentes e na intensa cooperação transjudicial.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografia do Autor

Jorge Alves Correia, Universidade de Coimbra

Doutor e Mestre em Direito Público pela Universidade de Coimbra. Professor da Faculdade de Direito de Coimbra.

Referências

ALEXANDRINO, José Melo. Linhas do constitucionalismo português e do constitucionalismo brasileiro. In: Um Direito Comum no Bicentenário do Reino Unido. Lisboa: IDB, 2016.

BERTAGNOLLI; BAGGIO. Os precedentes vinculantes do novo Código de Processo Civil e a aproximação entre common law e civil law no direito brasileiro. Ius Gentium, Curitiba, v. 8, n. 1, jan./jun. 2017.

BONAVIDES, Paulo; ANDRADE, Paes de. História Constitucional do Brasil. Rio de Janeiro, 1991.

CANOTILHO, J. J. Gomes. Direito Constitucional e Teoria da Constituição. Coimbra, 2003.

CANOTILHO, J. J. Gomes; BRANDÃO, Nuno. Colaboração premiada: reflexões críticas sobre os acordos fundantes da Operação Lava Jato. Revista Brasileira de Ciências Criminais, São Paulo, n. 133, 2017.

CANOTILHO, J. J. Gomes; MOREIRA, Vital. Constituição Anotada, I. Coimbra, 2007.

CARVALHO, Orlando de. Teixeira de Freitas e a unificação do direito privado. BFDUC, Coimbra, v. 60, 1984.

CORDEIRO, A. Menezes. O Sistema Lusófono de Direito. ROA, Ano 70, I/IV, 2010.

CORRÊA, Oscar Dias. Breves observações sobre a influência da Constituição Portuguesa na Constituição brasileira de 1988. In: MIRANDA, Jorge (Org.). Perspetivas Constitucionais: nos 20 anos da Constituição de 1976. Vol. I. Coimbra, 1996.

CORREIA, Jorge Alves. Direito Público Luso e Brasileiro: um Exercício de Direito Constitucional Comparado. Coimbra, 2019.

CRUZ, Guilherme Braga da. A formação histórica do moderno direito privado português e brasileiro. Comunicação ao II.º Colloquium Internacional de Estudos Luso-Brasileiros. São Paulo, 1954.

DAVID, René. L'originalité des droits de l'Amérique Latine. In: Le Droit Comparé, Droits D’ Hier et Droits de Demain. Paris, 1982.

FERREIRA FILHO, Manoel. Constitucionalismo português e constitucionalismo brasileiro. In: MIRANDA, Jorge (Org.). Perspetivas Constitucionais: nos 20 anos da Constituição de 1976. Vol. I. Coimbra, 1996.

FRANCO, Afonso Arinos de Melo. O constitucionalismo de D. Pedro I no Brasil e em Portugal. Brasília: Ministério da Justiça, 1994.

JUSTO, António Santos. O Direito Luso-Brasileiro: codificação civil. RBDC, Rio de Janeiro, 2003.

KOSTA, Kafft. Estado de Direito – O Paradigma Zero. Coimbra, 2007.

MACHADO JÚNIOR. Cátedras e catedráticos: curso de bacharelado, Faculdade de Direito, Universidade de São Paulo, 1827-2009. São Paulo, 2010.

MARCOS, Rui. Os Caminhos da Independência do Brasil. Lisboa, 2022.

MARCOS, Rui; MATHIAS, Carlos; NORONHA, Ibsen. História do Direito Brasileiro. Rio de Janeiro, 2014.

MIRANDA, Jorge. Manual de Direito Constitucional, I-1. Coimbra, 2014.

MIRANDA, Jorge. O Constitucionalismo Liberal Luso-Brasileiro. Lisboa: Comissão Nacional para as Comemorações dos Descobrimentos Portugueses, 2001.

MOURÃO, Fernando; PORTO, Walter. As Constituições de Língua Portuguesa. In: As Constituições dos Países de Língua Portuguesa Comentadas. Volume 91. Brasília: Senado Federal, 2008.

NASPOLINI, R. As Primeiras Faculdades de Direito: São Paulo e Recife. Portal Jurídico Investidura, Florianópolis, SC, maio 2008.

NUNES, Castro. Do Mandado de Segurança. Rio de Janeiro, 1980.

OTERO, Paulo. Direito Constitucional, I. Coimbra, 2010.

PORTUGAL. Ministério da Justiça. O Defensor Oficioso. DGPJ, 2010.

SANTOS, A. Marques dos. As relações entre Portugal, a Europa e o mundo lusófono e as suas repercussões no plano jurídico. Lusíada, Direito, I, jan. 2003.

SILVA, José Afonso da. Curso de Direito Constitucional Positivo. São Paulo, 2014.

SILVA, José Afonso da. O constitucionalismo brasileiro: Evolução institucional. São Paulo, 2011.

SILVA, Virgílio Afonso da. The Constitution of Brazil: A contextual analysis. Oxford, 2020.

STRECK, Lenio. A hermenêutica jurídica e o efeito vinculante da jurisprudência no Brasil: o caso das súmulas. BFDUC, Coimbra, v. LXXXII, 2006.

TAVARES, Ana Lyra. A tradição jurídica brasileira. RBDC, São Paulo, n. 33, 2007.

TAVARES, Ana Lyra. Identidade do sistema jurídico brasileiro, recepções de direito e função do direito comparado. RBDC, São Paulo, 2009.

VICENTE, Dário Moura. Direito Comparado. Vol. I. Coimbra, 2018.

VICENTE, Dário Moura. O lugar dos sistemas jurídicos lusófonos entre as famílias jurídicas. In: Estudos em homenagem ao Prof. Doutor Martim de Albuquerque. Coimbra, 2010.

Downloads

Publicado

08/31/2026

Como Citar

CORREIA, J. A. Do constitucionalismo liberal luso-brasileiro ao bicentenário da independência do Brasil . Revista Internacional de Direito Público | RIDP, Belo Horizonte: Fórum, v. 11, n. 20, p. 39–61, 2026. DOI: 10.64537/ridp.v11i20.1190. Disponível em: https://ridpdireito.com.br/index.php/ridp/article/view/1190. Acesso em: 1 set. 2026.